Gestão de Pessoas

Modelo de carta de demissão: como escrever e 5 exemplos prontos

Equipe Conta Azul Equipe Conta Azul | Atualizado em: 09/06/2026
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O que você vai ver neste post:

  • Entender o que é uma carta de demissão, quando ela é obrigatória e o que ela precisa ter;
  • Ver 5 modelos de carta de demissão prontos para copiar, adaptar e usar agora;
  • Descobrir o que fazer depois de pedir demissão e como a Conta Azul apoia quem decide abrir o próprio negócio.
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Carta de demissão é o documento em que o funcionário comunica à empresa sua decisão de sair do emprego. Ela serve como comprovante legal de que o desligamento foi uma escolha do trabalhador, o que afeta diretamente o cálculo das verbas rescisórias.

Sem esse documento, pode surgir confusão sobre o tipo de desligamento e gerar conflitos desnecessários. Por isso, mesmo não sendo obrigatória por lei, a carta protege tanto o funcionário quanto a empresa.

Confira o que vamos abordar ao longo deste texto:

Como fazer uma carta de demissão? 

Uma boa carta de demissão não precisa ser longa, mas precisa ter as informações certas para ter validade. Veja o que incluir:

  • Data e local de emissão do documento;
  • Nome completo e cargo do colaborador;
  • Nome da empresa e do responsável pelo recebimento;
  • Declaração formal do pedido de demissão;
  • Indicação sobre o aviso prévio, se será cumprido ou não;
  • Assinatura do colaborador.

Quanto mais clara e completa for a carta de demissão modelo, menor a chance de mal-entendidos na hora de calcular as verbas rescisórias.

5 modelos de carta de demissão prontos para usar

Cada situação de desligamento tem suas particularidades. Escolha o modelo que mais se encaixa no seu caso, substitua os campos entre colchetes e adapte conforme necessário.

1. Modelo de carta de demissão simples com aviso prévio

Use este modelo quando você for cumprir os 30 dias de aviso prévio normalmente.

[Local], [Data]

À [Nome da empresa] A/C [Nome do responsável/RH]

Eu, [Nome completo], portador do CPF [número], ocupante do cargo de [Cargo], venho por meio desta comunicar minha decisão de pedir demissão do quadro de colaboradores desta empresa.

Informo que estou ciente do cumprimento do aviso prévio de 30 dias, com início em [data de início] e término previsto para [data de término].

Agradeço pela oportunidade e coloco-me à disposição para o processo de desligamento.

Atenciosamente, [Nome completo] [Assinatura]

2. Modelo de carta de demissão sem aviso prévio

Use este modelo quando você não for cumprir o aviso prévio e aceita o desconto na rescisão.

[Local], [Data]

À [Nome da empresa] A/C [Nome do responsável/RH]

Eu, [Nome completo], portador do CPF [número], ocupante do cargo de [Cargo], venho comunicar formalmente meu pedido de demissão, com desligamento imediato.

Estou ciente de que, por não cumprir o aviso prévio de 30 dias, o valor correspondente será descontado das minhas verbas rescisórias, conforme previsto na CLT.

Atenciosamente, [Nome completo] [Assinatura]

3. Modelo de carta de demissão formal e de agradecimento

Use este modelo quando você quer manter um bom relacionamento com a empresa e sair deixando uma boa impressão.

[Local], [Data]

À [Nome da empresa] A/C [Nome do responsável/RH]

Por meio desta carta, comunico minha decisão de pedir demissão do cargo de [Cargo], a partir de [data], cumprindo o aviso prévio de 30 dias.

Foi uma honra fazer parte desta equipe. Levo comigo aprendizados que contribuíram muito para o meu desenvolvimento profissional e pessoal. Estou à disposição para garantir uma transição tranquila.

Atenciosamente, [Nome completo] [Assinatura]

4. Modelo de carta de demissão informal

Use este modelo em empresas com cultura menos formal, mas que ainda exige um documento com validade jurídica.

[Local], [Data]

Olá, [Nome do gestor ou responsável],

Escrevo para comunicar minha decisão de sair da [Nome da empresa], com data de desligamento prevista para [data], após o cumprimento do aviso prévio.

Foi um prazer trabalhar com vocês. Fico à disposição para ajudar na transição do que for necessário.

Obrigado por tudo, [Nome completo] [Assinatura]

5. Modelo de carta de demissão por acordo

Use este modelo quando o desligamento é combinado entre você e a empresa (demissão por acordo mútuo, prevista no Art. 484-A da CLT).

[Local], [Data]

À [Nome da empresa] A/C [Nome do responsável/RH]

Eu, [Nome completo], portador do CPF [número], ocupante do cargo de [Cargo], declaro que esta rescisão se dá por acordo mútuo entre as partes, conforme previsto no Art. 484-A da CLT.

Estou ciente das condições acordadas: cumprimento de metade do aviso prévio, saque de 80% do saldo do FGTS e acesso parcial ao seguro-desemprego, conforme legislação vigente.

Atenciosamente, [Nome completo] [Assinatura]

Para que serve a carta de demissão e por que é importante?

A carta de demissão serve como comprovação legal de que o desligamento foi uma decisão voluntária do trabalhador. Ela oficializa o início da contagem do prazo do aviso prévio e evita mal-entendidos entre funcionário e empresa na hora de calcular as verbas rescisórias.

Sem o documento, a empresa pode questionar a data do pedido ou o tipo de desligamento. Isso pode gerar disputas trabalhistas que prejudicam as duas partes, e que poderiam ser facilmente evitadas com um registro formal.

Advogados trabalhistas recomendam que a carta seja entregue em duas vias: uma para a empresa e uma assinada pelo recebedor, que fica com o funcionário como comprovante.

A carta de demissão é obrigatória?

A carta de demissão não é exigida por lei, mas é altamente recomendada. Ela serve como proteção jurídica para as duas partes: comprova a data do pedido, o tipo de desligamento e evita disputas trabalhistas no futuro.

Na prática, a maioria das empresas solicita o documento antes de iniciar o processo de rescisão. Entregar a carta é a forma mais segura de garantir que tudo fique registrado e que os seus direitos sejam respeitados.

A carta de demissão precisa ser escrita à mão?

Tradicionalmente, muitas empresas pedem que a carta de demissão seja escrita à mão para evitar fraudes ou alegações de coação por parte do empregador. A lógica é simples: a letra do próprio punho é difícil de falsificar.

Hoje, no entanto, documentos digitais com assinatura eletrônica válida, como as emitidas pelo Gov.br ou por certificados digitais reconhecidos, já são amplamente aceitos. A validade jurídica existe, desde que prevista no acordo interno da empresa.

O mais seguro é confirmar com o RH qual formato é aceito antes de entregar o documento.

Leia também: O que é PJ, como funciona e guia para se tornar Pessoa Jurídica

Quais são os direitos de quem pede demissão?

Quem pede demissão voluntariamente tem direito a um conjunto de verbas rescisórias garantidas pela CLT. Veja o que você tem direito a receber:

  • Saldo de salário proporcional aos dias trabalhados no mês;
  • Férias vencidas acrescidas de 1/3 constitucional, se houver período aquisitivo completo;
  • Férias proporcionais ao período trabalhado no ano vigente, acrescidas de ⅓;
  • 13º salário proporcional aos meses trabalhados no ano.

No pedido de demissão voluntário, o trabalhador não tem direito ao seguro-desemprego e não pode sacar o saldo do FGTS. O dinheiro fica retido na conta vinculada e só pode ser resgatado em situações específicas, como aposentadoria ou compra de imóvel próprio.

Na modalidade de demissão por acordo mútuo, é possível sacar 80% do FGTS e a empresa paga 20% de multa, mas o direito ao seguro-desemprego continua inexistente. O contador pode ajudar a calcular com precisão os valores a receber em cada situação.

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Regras do aviso prévio no pedido de demissão

O aviso prévio é o período de 30 dias entre o pedido de demissão e o encerramento do contrato. Nesse tempo, o funcionário continua trabalhando normalmente e recebe o salário integral na rescisão.

Se o trabalhador optar por sair imediatamente, sem cumprir os 30 dias, o valor correspondente a um salário mensal será descontado diretamente das verbas rescisórias. Isso só não acontece se a própria empresa dispensar o cumprimento do aviso.

  • Aviso prévio cumprido: funcionário trabalha os 30 dias e recebe o salário integral na rescisão;
  • Aviso prévio indenizado pelo funcionário: trabalhador sai imediatamente e tem o valor de um salário descontado das verbas rescisórias.

Qual motivo devo colocar na carta de demissão?

Informar o motivo da saída não é obrigatório na carta de demissão. O documento precisa apenas comunicar formalmente a decisão de encerrar o vínculo empregatício.

Caso você queira ou se sentir confortável, alguns motivos comuns que podem ser mencionados são:

  • Novo desafio profissional ou proposta de emprego;
  • Decisão de abrir o próprio negócio;
  • Mudança de cidade ou país;
  • Motivos pessoais ou familiares;
  • Busca por qualificação ou recolocação profissional.

Seja qual for a razão, mantenha um tom respeitoso e profissional. O mercado é pequeno e uma saída bem conduzida preserva a sua reputação.

Caneta esferográfica preta sobre folhas de papel branco pautadas em uma mesa de madeira, com destaque para a escrita e o material de escritório. Representando a carta de demissão.

Como pedir demissão: passo a passo

Pedir demissão com profissionalismo protege seus direitos e preserva sua reputação no mercado. Siga este passo a passo:

  1. Tome a decisão com segurança e, se possível, já tenha o próximo passo definido antes de comunicar;
  2. Converse primeiro com o gestor direto antes de formalizar qualquer documento;
  3. Escreva a carta de demissão com os dados corretos e em duas vias;
  4. Entregue pessoalmente e peça que a empresa assine e devolva uma via como comprovante;
  5. Defina com o RH se o aviso prévio será cumprido ou indenizado;
  6. Devolva equipamentos e materiais da empresa no prazo combinado;
  7. Acompanhe o cálculo das verbas rescisórias com atenção e, se tiver dúvidas, consulte um contador.

Uma saída bem conduzida facilita o processo para as duas partes e garante que você receba tudo o que tem direito dentro do prazo.

É melhor pedir demissão ou ser demitido?

Essa é uma dúvida frequente, e a resposta depende de cada situação. Do ponto de vista financeiro, ser demitido sem justa causa garante mais direitos. Mas nem sempre esperar a demissão é a melhor escolha, especialmente quando há uma oportunidade melhor.

Veja a comparação:

Pedido de demissão (voluntária)Demissão sem justa causa (involuntária)
Seguro-desempregoNão tem direitoTem direito
Multa de 40% sobre FGTSNão recebeRecebe
Saque do FGTSNão pode sacarPode sacar + multa de 40%
13º proporcionalRecebeRecebe
Férias + 1/3RecebeRecebe
Aviso prévioTrabalhado ou descontado do funcionárioTrabalhado ou pago pelo empregador

A decisão deve considerar fatores além do financeiro: saúde mental, oportunidades à vista e o impacto na carreira a longo prazo. Para quem está saindo para abrir seu próprio negócio, por exemplo, os direitos trabalhistas têm menos peso do que o planejamento do negócio.

Leia também: Como abrir um CNPJ MEI gratuito?

Como funciona o processo de desligamento?

Após entregar a carta de demissão, o processo de desligamento segue uma sequência definida pela CLT. Veja como funciona na prática:

  1. Entregue a carta ao gestor ou RH e solicite o comprovante de recebimento;
  2. Defina o aviso prévio, se será cumprido ou indenizado pelo trabalhador;
  3. Cumpra o período de transição, devolvendo atividades e documentos sob sua responsabilidade;
  4. Realize o exame demissional, obrigatório em algumas categorias e empresas;
  5. Devolva equipamentos, crachás e materiais da empresa;
  6. Assine os documentos de rescisão e confira cada verba calculada antes de assinar;
  7. Receba as verbas rescisórias no prazo de até 10 dias corridos após o término do contrato.

Vale reforçar: quem pede demissão recebe um valor rescisório menor do que em casos de demissão sem justa causa, pois não há multa de 40% sobre o FGTS nem direito ao seguro-desemprego.

Como funciona o processo de demissão por comum acordo?

A demissão por acordo mútuo é uma modalidade criada pela Reforma Trabalhista de 2017, prevista no Art. 484-A da CLT. Ela acontece quando funcionário e empresa decidem juntos encerrar o contrato de trabalho.

Nessa modalidade, as condições são diferentes do pedido de demissão tradicional:

  • O aviso prévio pode ser trabalhado integralmente ou indenizado pela empresa (nesse caso, ela paga apenas 50% do valor);
  • A empresa paga 20% de multa sobre o saldo do FGTS;
  • O trabalhador pode sacar 80% do saldo do FGTS referente àquele vínculo empregatício;
  • Não há direito ao seguro-desemprego;

Para formalizar, é necessário registrar o acordo por escrito, com a assinatura das duas partes. O modelo de carta de demissão por acordo que trouxemos mais acima já está adaptado para esse formato.

Quais são as obrigações de quem pede demissão?

Pedir demissão não é apenas comunicar a saída: existem responsabilidades que o trabalhador precisa cumprir para garantir uma rescisão tranquila e sem descontos inesperados.

  • Comunicar a decisão com antecedência de 30 dias, respeitando o prazo do aviso prévio;
  • Cumprir o aviso prévio trabalhado ou aceitar o desconto do valor correspondente na rescisão;
  • Devolver equipamentos, crachás e materiais da empresa no prazo combinado;
  • Realizar o exame demissional, obrigatório em algumas categorias e empresas;
  • Participar da homologação da rescisão para receber as verbas corretamente.

Quem não cumpre o aviso prévio e não combina a dispensa com o empregador pode ter até um salário descontado na rescisão. Dependendo do valor, o impacto no saldo a receber pode ser significativo.

Pedindo demissão para empreender: qual o próximo passo?

Para muitos profissionais, pedir demissão não é o fim de um ciclo, é o começo de um novo. Abrir o próprio negócio é um dos motivos mais frequentes de pedido de demissão, e o planejamento financeiro inicial é o que separa quem decola de quem volta para o mercado.

Antes de sair, vale organizar as finanças pessoais e pensar na estrutura do novo negócio. Definir o modelo de empresa, entender as obrigações fiscais e escolher as ferramentas certas desde o início evita retrabalho e surpresas burocráticas no caminho.

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Leia também: Quais são os documentos necessários para abrir uma empresa?

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Perguntas frequentes sobre carta de demissão

Precisa de testemunhas na carta de demissão?

Não é obrigatório, mas ter testemunhas reforça a validade do documento em caso de disputa trabalhista. O mais importante é entregar a carta em duas vias e pedir que a empresa assine e devolva uma cópia como comprovante de recebimento.

Posso desistir do pedido de demissão após entregar a carta?

Sim. Pelo Art. 489 da CLT, o trabalhador pode desistir do pedido de demissão de forma unilateral até o início do cumprimento do aviso prévio. Depois que o aviso começa a ser cumprido, a desistência passa a depender da concordância da empresa. 

Qual o prazo para entregar a carta de demissão?

Não há prazo fixo em lei, mas o recomendado é entregar a carta com 30 dias de antecedência, respeitando o aviso prévio. Quanto antes a empresa for comunicada, mais organizado fica o processo de desligamento.

A carta de demissão é irrevogável?

Não. Até o início do aviso prévio, o trabalhador pode reverter o pedido sem precisar da aprovação da empresa, conforme o Art. 489 da CLT. A partir do momento em que o aviso começa a ser cumprido, a empresa precisa concordar com a desistência. 

Preciso fazer exame demissional ao pedir demissão?

Sim. O exame demissional é obrigatório para todos os trabalhadores CLT, independentemente da categoria ou acordo coletivo. A única exceção é quando o último exame médico foi realizado recentemente, dentro do prazo estabelecido pela NR-7. Confirme com o RH se há necessidade de agendar. 

Devo entregar a carta de demissão para o gestor ou para o RH?

O ideal é entregar para o gestor direto primeiro, como forma de respeito e profissionalismo, e em seguida formalizar com o RH. Em empresas menores, sem setor de RH, o gestor ou dono da empresa é o destinatário natural.

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