Contabilidade e Impostos

Lucro real e lucro presumido: como escolher o melhor para sua empresa?

Marcos Perillo Marcos Perillo | Atualizado em: 25/03/2026

O que você vai ver neste post:

  • Descubra as principais diferenças entre os regimes de Lucro Presumido e Lucro Real e como eles impactam os impostos da sua empresa;
  • Entenda em quais situações cada regime é mais vantajoso e como escolher o melhor para o seu negócio;
  • O contador é o especialista que pode auxiliar no planejamento tributário do seu negócio. Com a Conta Azul, você envia automaticamente todos os dados necessários para ele.
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Escolher entre lucro real e lucro presumido vai muito além de uma formalidade: a decisão errada pode gerar pagamento excessivo de impostos ou até riscos fiscais ao longo do ano, impactando diretamente o caixa da empresa.

Neste guia, você vai entender o que é lucro real e lucro presumido, como funciona o cálculo, como saber se a empresa é lucro real ou presumido e qual é o regime tributário mais vantajoso. Confira o que vamos abordar:

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Quais são os impostos que incidem sobre o lucro das empresas?

Lucro Presumido x Lucro Real - Guia Completo

No Brasil, as empresas pagam tributos federais que incidem diretamente sobre o lucro apurado no período. Os principais são:

  • IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica): imposto federal cobrado sobre o lucro da empresa, com alíquota que varia conforme o regime tributário;
  • CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido): contribuição federal calculada sobre o lucro, destinada ao financiamento da seguridade social.

A forma de cálculo desses impostos muda conforme o regime escolhido, o que impacta diretamente o valor pago ao longo do ano.

O que é Lucro Real?

O lucro real é um regime tributário em que os impostos são calculados com base no lucro líquido contábil da empresa, ou seja, no resultado real após receitas e despesas. 

Diferente do lucro presumido, em que o governo estima a margem de lucro, no lucro real o cálculo considera exatamente o que a empresa ganhou ou perdeu no período.

Esse regime é obrigatório para empresas com faturamento anual acima de R$ 78 milhões e para algumas atividades específicas, como instituições financeiras. Ele pode ser apurado mensalmente ou trimestralmente, sempre com base nos resultados contábeis.

Como funciona a tributação no Lucro Real?

No regime de lucro real, a empresa paga impostos sobre o lucro efetivamente apurado e também sobre o faturamento em algumas contribuições.

  • IRPJ (15%): imposto sobre o lucro da empresa, com adicional de 10% sobre o valor que exceder R$ 20 mil por mês;
  • CSLL (9%): contribuição calculada sobre o lucro líquido da empresa;
  • PIS (1,65%): contribuição sobre o faturamento no regime não cumulativo, permitindo desconto de créditos sobre despesas;
  • COFINS (7,6%): contribuição também não cumulativa, com possibilidade de abatimento de créditos vinculados à atividade da empresa.

Como calcular os impostos do Lucro Real?

No lucro real, os impostos são calculados com base no lucro líquido apurado pela contabilidade da empresa.

Fórmula da base de cálculo:

Lucro real = receitas totais – custos – despesas operacionais – ajustes fiscais

Passo a passo:

  1. Apurar todas as receitas obtidas no período;
  2. Subtrair custos, despesas operacionais e encargos da empresa;
  3. Ajustar valores conforme regras fiscais (adições ou exclusões permitidas por lei);
  4. Calcular o IRPJ e a CSLL sobre o lucro líquido apurado;
  5. Aplicar PIS e COFINS sobre o faturamento, descontando os créditos permitidos.

Quais são as alíquotas do lucro real?

  • IRPJ: 15% sobre o lucro, com adicional de 10% sobre o que exceder R$ 20 mil por mês (ou R$ 60 mil por trimestre);
  • CSLL: 9% sobre o lucro líquido da empresa;
  • PIS/PASEP: 1,65% sobre o faturamento no regime não cumulativo, com possibilidade de créditos;
  • COFINS: 7,6% sobre o faturamento, também não cumulativa, permitindo abatimento de créditos sobre algumas despesas.

Quando minha empresa deve adotar o Lucro Real?

O lucro real deve ser adotado por empresas com faturamento anual acima de R$ 78 milhões ou por atividades obrigadas por lei, como instituições financeiras. 

Também pode ser vantajoso para negócios com margem de lucro menor ou muitas despesas dedutíveis, já que os impostos são calculados sobre o lucro efetivo.

O que é Lucro Presumido?

O lucro presumido é um regime tributário em que o governo estima a margem de lucro da empresa para calcular impostos. Por isso, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é definida a partir de percentuais fixos aplicados sobre o faturamento.

As margens presumidas variam conforme a atividade da empresa:

  • 8% do faturamento: para atividades comerciais, industriais e transporte de cargas;
  • 32% do faturamento: para empresas de prestação de serviços em geral.

Nesse regime, PIS e COFINS são cumulativos, com alíquota total de 3,65% sobre o faturamento, sem possibilidade de desconto de créditos sobre despesas.

Como funciona a tributação no lucro presumido?

No lucro presumido, os impostos são calculados a partir de uma margem de lucro definida pela legislação, aplicada sobre o faturamento. Sobre esse valor presumido incidem IRPJ e CSLL, enquanto PIS e COFINS são calculados diretamente sobre a receita bruta.

Diferente do lucro real, esse regime usa PIS e COFINS no modelo cumulativo, sem possibilidade de descontar créditos sobre despesas, o que simplifica o cálculo, mas pode aumentar o valor pago dependendo da margem de lucro da empresa.

Como calcular impostos no lucro presumido?

No lucro presumido, os impostos são calculados aplicando primeiro a margem presumida sobre o faturamento e, depois, as alíquotas de cada tributo.

Passo a passo:

  1. Identificar o faturamento do período;
  2. Aplicar a margem presumida conforme a atividade (8% para comércio ou 32% para serviços);
  3. Calcular IRPJ (15%) e CSLL (9%) sobre o lucro presumido;
  4. Aplicar PIS (0,65%) e COFINS (3%) diretamente sobre o faturamento.

Qual a diferença entre lucro real e lucro presumido?

A principal diferença entre lucro real e lucro presumido está na forma de calcular os impostos da empresa. Enquanto o lucro real considera o lucro efetivamente obtido, o lucro presumido utiliza uma margem estimada pela legislação para definir a base de cálculo.

CritérioLucro RealLucro Presumido
Base de cálculoLucro líquido contábil da empresa (receitas menos custos e despesas).Percentual de lucro definido por lei aplicado sobre o faturamento.
Alíquotas PIS/COFINS1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS) no regime não cumulativo, com possibilidade de créditos.0,65% (PIS) e 3% (COFINS) no regime cumulativo, sem créditos.
Aplicação obrigatória
Complexidade
Empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões ou atividades específicas (como instituições financeiras).Empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões que não são obrigadas ao lucro real.
Compensação de prejuízosMais complexo, exige controle contábil detalhado e apuração frequente.Mais simples, com cálculo baseado em margens fixas.

Entender qual a diferença entre lucro real e lucro presumido ajuda o empreendedor a avaliar qual é o regime tributário mais vantajoso para o seu negócio, sempre com o apoio do contador.

Vantagens e desvantagens do lucro real

Antes de decidir entre lucro real ou presumido, é importante entender os pontos positivos e negativos de cada regime. No lucro real, os impostos acompanham o resultado financeiro da empresa, o que pode gerar economia em alguns cenários.

Vantagens do lucro real

No lucro real, os impostos são calculados sobre o lucro efetivo da empresa, o que torna a tributação mais justa. 

Esse regime pode gerar economia significativa em períodos de margem baixa ou prejuízo, permite compensar prejuízos fiscais em anos seguintes e ainda possibilita créditos de PIS e COFINS, reduzindo a carga tributária.

Além disso, empresas com muitas despesas dedutíveis, como custos operacionais e investimentos, costumam ter vantagem nesse regime. Por isso, o lucro real pode ser ideal para negócios com margens menores ou variáveis ao longo do ano.

Desvantagens do lucro real

Apesar das vantagens, o lucro real exige contabilidade completa e rigorosa, com controle detalhado das receitas, custos e despesas da empresa. Isso normalmente aumenta os custos administrativos com contabilidade, sistemas e gestão financeira.

Também há mais obrigações fiscais e contábeis, como envio de declarações e registros eletrônicos ao governo. Além disso, erros na escrituração podem gerar multas e fiscalizações mais detalhadas, exigindo ainda mais atenção na gestão financeira.

Vantagens e desvantagens do lucro presumido

O lucro presumido é um regime mais simples de administrar e bastante comum entre empresas que faturam até o limite permitido. Entender seus benefícios e limitações ajuda a avaliar qual é o regime tributário mais vantajoso para o seu negócio.

Vantagens do lucro presumido

Uma das principais vantagens do lucro presumido é a simplicidade no cálculo dos impostos, já que a base tributária é definida por uma margem fixa aplicada sobre o faturamento. Isso reduz a complexidade da contabilidade e costuma gerar custos administrativos menores.

Outro benefício é a previsibilidade da tributação, que facilita o planejamento financeiro da empresa. Negócios com margens de lucro altas e poucas despesas dedutíveis costumam pagar menos impostos nesse regime em comparação ao lucro real.

Desvantagens do lucro presumido

No lucro presumido, os impostos são calculados com base em uma margem estimada, mesmo que a empresa tenha lucrado menos ou até tido prejuízo no período. Isso significa que a empresa pode pagar imposto mesmo sem lucro real correspondente.

Além disso, não é possível compensar prejuízos nem aproveitar créditos de PIS e COFINS, o que pode aumentar os impostos em empresas com margens menores. Por isso, o lucro presumido pode ser vantajoso ou não, dependendo da realidade da empresa.

Quem pode e quem deve usar cada regime tributário?

Empresas com faturamento anual de até R$ 78 milhões podem optar entre lucro real ou presumido, desde que não estejam no Simples Nacional. A escolha do regime tributário é feita no início do ano e vale para todo o período.

Já o lucro real é obrigatório para instituições financeiras e empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões por ano. O lucro presumido costuma ser usado por empresas menores, mas a escolha depende da margem e dos custos do negócio.

Leia também: Entenda de uma vez por todas a tributação no Simples Nacional

Como escolher entre lucro real e lucro presumido?

Para escolher entre lucro real ou presumido, analise primeiro a margem de lucro da empresa. Negócios com margem menor tendem a pagar menos no lucro real, enquanto empresas com margens maiores podem se beneficiar do lucro presumido.

Também é importante avaliar o volume de despesas e os créditos de PIS e COFINS, que existem no lucro real, além da estabilidade do faturamento ao longo do ano.

O ideal é fazer uma simulação com dados reais da empresa e comparar os dois regimes. Essa análise deve ser feita com o contador e revisada todos os anos.

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Quando posso mudar o regime tributário da empresa?

A alteração de regime tributário pode ser feita no início de cada ano, geralmente em janeiro, no momento do primeiro pagamento do DARF relacionado ao regime escolhido. Essa decisão define se a empresa ficará no lucro real ou presumido durante todo o ano.

Depois de feita a opção, ela se torna irretratável até o fim do ano-calendário. Mudanças fora desse prazo só acontecem em situações específicas, como desenquadramento do Simples Nacional ou alterações legais no enquadramento da empresa.

Quais são os principais erros ao escolher um regime tributário?

Escolher entre lucro real e lucro presumido sem analisar os dados da empresa pode levar ao pagamento de mais impostos do que o necessário. Muitos empreendedores tomam essa decisão sem projeções financeiras ou análise contábil, o que aumenta o risco de erro.

Os erros mais comuns são:

  • Falta de projeção de gastos: sem estimar custos e despesas do ano, fica difícil saber se o lucro real ou presumido será mais vantajoso;
  • Não considerar a cumulatividade de impostos: no lucro presumido, PIS e COFINS são cumulativos, o que pode aumentar a carga tributária dependendo da atividade;
  • Ignorar benefícios fiscais regionais: alguns estados e municípios oferecem incentivos que podem reduzir impostos, mas que muitas empresas deixam de aproveitar.

Qual o impacto da escolha de um regime tributário na lucratividade da empresa?

A escolha entre lucro real e lucro presumido impacta diretamente o caixa da empresa, pois define quanto será pago em impostos no ano. Um regime mal escolhido pode consumir até 30% da margem líquida, reduzindo o lucro e limitando o crescimento do negócio.

Por isso, o regime tributário não deve ser visto apenas como uma obrigação, mas como uma ferramenta estratégica de competitividade. Quando bem escolhido, ele ajuda a preservar o lucro, melhorar o fluxo de caixa e aumentar a capacidade de investimento.

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Além disso, seu contador acessa as informações financeiras em tempo real, o que simplifica a análise para decidir entre lucro real ou presumido e melhora o planejamento tributário da empresa. Teste grátis a Conta Azul e veja como automatizar sua gestão financeira.

Perguntas frequentes sobre lucro real e lucro presumido

Qual o melhor regime de tributação, lucro real ou presumido?

Não existe um regime melhor para todas as empresas. A escolha entre lucro real ou presumido depende da margem de lucro e do volume de despesas. 

Qual regime tributário paga menos impostos?

O regime que paga menos impostos é aquele mais alinhado à realidade financeira da empresa. Empresas com lucro alto e poucas despesas tendem a pagar menos no lucro presumido, enquanto empresas com margem menor podem reduzir impostos no lucro real.

Como saber se a empresa é lucro real ou presumido?

Para saber se a empresa é lucro real ou presumido, é preciso verificar o regime tributário escolhido no início do ano fiscal, geralmente registrado na contabilidade e nos documentos fiscais da empresa. O contador também pode confirmar essa informação rapidamente.

Como faço para deixar de ser lucro presumido?

Para deixar de ser lucro presumido, a empresa precisa fazer a alteração do regime tributário no início do ano, normalmente em janeiro, ao realizar o primeiro pagamento de impostos do período. Depois dessa escolha, o regime vale para todo o ano-calendário.

Lucro presumido é cumulativo ou não cumulativo?

No lucro presumido, os tributos PIS e COFINS são cumulativos, o que significa que não há possibilidade de descontar créditos sobre despesas. As alíquotas normalmente somam 3,65% sobre o faturamento.

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