Como a HTS Tecnologia Industrial passou de R$ 5 mil de sobra em um mês de R$ 800 mil para R$ 20 mil de sobra em um mês de R$ 200 mil.
O que você vai ver neste post:
- Por que faturar muito não garante sobrar muito;
- A conta de uma empresa de 7 pessoas, a cada R$ 100 faturados;
- Como recusar um serviço de R$ 500 mil ajudou a sobrar mais.
Em R$ 800 mil faturados, R$ 5 mil de sobra. Esse foi um mês da HTS Tecnologia Industrial, empresa de manutenção e reforma de máquinas CNC.
A diferença está em faturamento e lucro: faturamento é tudo o que entra com as vendas, e lucro é o que sobra depois de pagar custos, impostos e despesas. O cálculo completo está em como calcular faturamento e ponto de equilíbrio.
Aqui, Jonnis Biazon, sócio da HTS, conta o que mudou quando a empresa passou a olhar para a sobra, e não só para o que entra. Ele aprovou este conteúdo.
Neste artigo:
- Por que faturar bastante não significa sobrar bastante;
- Quanto pesa cada coisa na conta de uma empresa de serviços técnicos;
- Quando vale recusar um serviço para sobrar mais;
- O que muda quando a empresa fatura menos e sobra mais;
- O que fica para os sócios no fim do ano;
- O que dá para copiar do caso da HTS.
Por que faturar bastante não significa sobrar bastante?
Porque faturamento mostra o tamanho da operação, e não o que sobra dela. Na HTS, teve mês de R$ 800 mil de faturamento e R$ 5 mil de sobra.
A HTS faz 28 anos, mas a equipe é pequena: “Todo mundo acha que empresa de 2 milhões por ano é empresa grande. Somos sete pessoas.” Hoje, são quatro frentes: laboratório de eletrônica, oficina de servomotor, assistência técnica e reforma de máquina.
Cada frente tem seu ritmo. “Assistência técnica é hora corrida. Tem dez horas no dia, se eu faturo 4 mil, acabou, não tem como faturar mais. Reforma de máquina não: ali o valor agregado é outro.” E um departamento não se paga: “Eu mantenho porque é ele que leva equipamento pro laboratório. Um banca o outro.”

Quanto pesa cada coisa na conta de uma empresa de serviços técnicos?
Na HTS, o custo fixo vem primeiro: “Meu custo fixo é 140 mil por mês. Quando vira o mês, eu já começo devendo 140.”
Depois entra o imposto: “O imposto é cumulativo. Começo o ano pagando 15%. No segundo trimestre já é 20. Em dezembro eu tô pagando 27.” Cada pessoa da equipe também pesa: “Um funcionário de 3 mil custa mais de 6.”
No fim, o que sobra é uma margem pequena: “Margem de lucro líquido aqui fica entre 10 e 15%.”
Quando vale recusar um serviço para sobrar mais?
Vale recusar quando o serviço custa mais do que paga. A HTS faz essa conta: “Tem serviço de 500 mil que eu recuso. Porque são três meses de obra, 150 mil de custo fixo por mês, mais material, mais imposto, eu gasto 600 pra receber 500.”
Jonnis só sabe disso porque olha: “A gente faz engenharia reversa do centro de custo antes de mandar a proposta. Antes, era névoa na frente.” Centro de custo é a divisão da empresa à qual cada gasto é atribuído, o que mostra quanto cada serviço consome.
Recusar faturamento parece contraintuitivo, mas o que protege a sobra é a margem de cada serviço. Veja mais em centro de custo.
O que muda quando a empresa fatura menos e sobra mais?
Muda a clareza sobre o que sobra. Antes, a desconfiança tomava conta: “A gente achava que tinha alguém roubando a empresa.”
Hoje, a conta é outra: “Hoje eu faturo 200 mil e sobram 20. Faturo menos do que já faturei e sobra mais.”
O ganho é saber o que vem pela frente: “Eu sei quanto eu vou ter na minha conta em dezembro. Eu tenho que saber. Quem não administra o próprio dinheiro não administra o da empresa.”
O que fica para os sócios no fim do ano?
Na HTS, o salário dos sócios é parte da conta: “Os três sócios têm salário fixo, igual funcionário. O que sobra depois disso é o que a gente decide junto no fim do ano.”
E o que sobra volta para o que eles construíram: “Botamos o lucro inteiro na escola técnica que a gente montou.”
Pró-labore e retirada de lucros têm regras próprias, então converse com o contador. Veja o que é pró-labore.
O que dá para copiar do caso da HTS?
Três práticas do caso servem para qualquer empresa:
- Olhe a sobra, não só o faturamento. Acompanhe o que sobra todo mês, e não apenas o que entra;
- Saiba quanto cada serviço custa antes de mandar a proposta;
- Trate o salário dos sócios como custo. Só depois dele, e dos custos fixos e variáveis, aparece o lucro.
Quanto sobra no seu negócio?
Antes de olhar os números, dê o seu palpite. A campanha Quanto Sobra? da Conta Azul pede que o dono da empresa diga quanto acha que sobra antes de ver a conta real. Deixe o seu palpite.
Como a Conta Azul ajuda a saber quanto sobra?
Saber quanto sobra depende de ter os números em ordem. A Conta Azul é um ERP financeiro em nuvem para pequenas e médias empresas, que reúne contas a pagar e a receber, fluxo de caixa e relatórios em um só lugar, para você acompanhar o que entra, o que sai e o que fica no fim do mês.
Perguntas frequentes sobre faturamento e lucro
Faturamento alto significa lucro alto?
Não. Faturamento é o que entra; lucro é o que sobra. Na HTS, teve mês de R$ 800 mil em que sobraram R$ 5 mil.
Quanto deveria sobrar do faturamento?
Depende da empresa e do setor. Na HTS, Jonnis diz que a “margem de lucro líquido aqui fica entre 10 e 15%”. Veja como calcular a margem de lucro.
Como saber quanto sobra no fim do mês?
Do faturamento, subtraia custos, impostos e o salário dos sócios, e acompanhe o resultado todo mês. Como diz Jonnis: “Eu só sei disso porque eu olho.”



